Autoconhecimento para além dos nossos raciocínios

Vivemos numa cultura mecânica, cartesiana por demais, e muitas vezes acreditamos que somos apenas nossos raciocínios, nossa mente objetiva, e por acreditar nisso, acreditamos também que quanto mais informações tivermos, mais conhecimento temos sobre nós.

Nossa cultura científica é avançada e refinada a respeito da racionalidade e tecnologia. A ciência descreve o EU BIOLÓGICO, o EU PSICOLÓGICO e o EU SOCIAL, mas ainda tem grandes limites em descrever o EU INTERNO, esse EU impresso em nossa consciência mais profunda e que quando nos colocamos em contato com ele, é o melhor guia para a nossa vida, pois nele está inserido naturalmente a vida.

Acabamos por atrapalhar demais nosso próprio autoconhecimento quando o buscamos apenas pelas informações que podem ser raciocinadas. Outros elementos existem em nós, e eles são mais sutis, sóbrios e para além dos nossos raciocínios e instintos primitivos.


Sonhar, Imaginar, Sentir, Intuir são instrumentos capazes de silenciar nossa mente e nossos raciocínios, e ainda nos aproximar da nossa autenticidade. A vida psíquica é muito mais que nossos raciocínios.

Falamos de amor, de generosidade, de reforma intima, de lucidez, de discernimento e tantos outros conceitos, no entanto na maioria das vezes os praticamos apenas como forma de comportamento socialmente aceito.


Criamos o mundo com nossa mente o tempo inteiro, inventamos a nós e inventamos os outros também, porém quase sempre acreditando que estamos separados e precisando nos proteger.


Podemos escolher entre a "Doutrina do Olho", aquela em que trabalho, estudo para ficar bem, para ter os meus recursos e criar o meu mundo particular, mas também podemos e devemos ampliar para a "Doutrina do Coração", aquela que nos ensina a trabalhar, estudar para o bem dos demais. Esse diferencial pode dar um novo sentido à existência.


Um caráter que contempla o todo e tem consciência que tudo é para o coração da grande vida que pulsa em todos nós, não sente a necessidade de fechar-se em seu mundo particular. O autoconhecimento com foco em superar o outro é perigoso, gera vaidade e alimenta o egoísmo, fonte de todos os males da humanidade.


O autoconhecimento não deveria ser buscado como fim em si mesmo, mas como um imperativo da vida, a própria evolução de todos nós que nos consideramos humanos.

Descobrir esse sentido maior nos deixa leves, nos despoja de ficar se ocupando com coisas que só matam o nosso sagrado tempo de aprendizado e partilha.

Quando temos consciência que somos o micro inserido no macro, temos a possibilidade de nos abrir para a intuição, paramos de projetar aquilo que não somos, aceitamos o diverso que nos ensina, nos colocamos na condição daquele aprendiz que sabe ouvir e ler para além dos livros e teorias.


Cuidar do Espírito é abrir-se para a riqueza da consciência universal, do todo que está muito além de qualquer dogma, doutrina ou castração.


*Estas percepções foram tiradas da palestra de Melissa Andrade “Conhecer as leis do universo a partir do autoconhecimento”.



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